waiting for tomorrow

Saturday, April 19, 2008

Não que fosse a chuva que caia ou aquela incomoda quarta-feira de manhã. É que ela apareceu como um raio que brota imponente em meio a um dilúvio onde ninguém enxerga nada.
Era mais um dia, mas enquanto X fingia ler aquelas páginas de um assunto ao qual ele pouco parecia se interessar. A única coisa que ele podia vislumbrar era aquela desconhecida que brotara em um horizonte tão turvo.

Sunday, February 17, 2008

Ainda me lembro de Clara falando naquela primavera. Tinha uma árvore e as flores nasciam novamente em um ciclo interminável que perdurava desde do tempo em que mudei para aquela casa e ela começou a fazer parte do meu limitado mundo. E olhando para aquela boca se mexendo de forma tão abrupta. Tentava encontrar em Clara a mesma renovação que via de forma constante naquela árvore lá fora. Mas não conseguia... acho que não tinha tamanha perseverança para sempre tentar reencontrar a próxima primavera. Era primavera de 1989 e mais uma vez me encontrava numa espiral descendente.

Saturday, February 09, 2008

Lá muito além do horizonte espero encontrar vc. Aonde tudo parecerá vazio, mas cheio de vc e a sua presença o que significará tudo.

Thursday, January 24, 2008

De dentro da Caixa verde

Não tinha colocado o título.

Wednesday, January 23, 2008

Tenho esse texto há um bom tempo na parede do meu quarto.

I
como o sulco da caligrafia
chegando toda semana. como
o pulôver vermelho
que veste agora (não era
a volta para casa, um consolo, nem
a limosine negra veio buscá-la
de outro poema)

uma noite que se estende
com os ruídos de um sono
distante - e se você levanta num
entressonho, parece outra cidade, quando chega
a luz do dia muito antes da hora - Não sei
em que mapa ficou Leeds
nem aquele passeio de mãos dubidativas
em torno da praça.

II
de vestido amassado no pico
da montanha (o ponteiro dos segundos
rabisca o silêncio): - não sou
Felice, sorria com calma, de dedos
trêmulos - é uma relação
virtual, eu vibro como estrada. - olhos de gato

no escuro concreto, do banco
da frente nem suspeitava da perseguição. nem suspeitava
das vozes que vêm do oceano
(algum barco ainda aguarda
na enseada?)

III
sobre a mala
a caixa de chá (não o desejo
de contar os aviões partindo
na pista sobre o mar) na passagem tinha impresso
o retorno (temos os dias contados? para
onde vai? sua voz de
neblina no escuro)

Marília Garcia, 23, é autora do livro poemas Encontros as Cegas(ed. Moby Dick).

Sunday, January 20, 2008

Untitled

As vezes parar aqui e olhar para esquerda e ver um pequeno vilarejo e a direita um oceano que se perde em qualquer denominação de infinito só me faz querer voltar. A terra, a água tudo me lembra um paraíso que a algum tempo resolvi deixar para trás.

Saturday, December 22, 2007

Diálogo

A: Mas me diga. Se tivesse continuado lá, você ainda me colocaria aqui?
B: Não sei. Deixe o passado aonde ele está e descansa.
A: Mas eu não posso.
B: Como?
A: Já fazem dias em que eu não como, durmo, vivo direito. A minha cabeça dói.
(silêncio)
B: Mas porque que tem de ser assim? Não estou te reconhecendo nessas palavras...
A: Palavras, palavras, palavras. Elas me colocaram aqui! Porque você me notou?

...

Não continua!