Ainda me lembro de Clara falando naquela primavera. Tinha uma árvore e as flores nasciam novamente em um ciclo interminável que perdurava desde do tempo em que mudei para aquela casa e ela começou a fazer parte do meu limitado mundo. E olhando para aquela boca se mexendo de forma tão abrupta. Tentava encontrar em Clara a mesma renovação que via de forma constante naquela árvore lá fora. Mas não conseguia... acho que não tinha tamanha perseverança para sempre tentar reencontrar a próxima primavera. Era primavera de 1989 e mais uma vez me encontrava numa espiral descendente.

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