Acho que você nunca irá morrer pra mim. Já faz cinco anos que o sol se tornou cinza pra mim e que quase todo dia quando retorno aqui as lágrimas parecem se escassear do lado externo e começam a serem empurradas para dentro.
Ainda me lembro do dia em que te vi enquanto imagem real e quantas vezes não desejamos ser fruto do mesmo fruto e quando no final das divagações sobre os nossos desejos mais vãos nos deparavamos com o chão e com a realidade que ele trazia.
(...)
Cada palavra, cada ruga que surge e um gesto que remanesce parece te trazer de volta de alguma forma. Ainda me lembro da Iris dizendo que apesar de dizer que não me lembrava nada a você eu era tudo o que descrevia sobre você. E aquela recente memória que agora vai se diluindo aos poucos dado aos infortunios aos quais a mente e o passsar do tempo nos submete. Me lembro que quando ela me disse isso habitava naquele instante o mesmo quarto vazio que senti ter habitado a vida toda e que tinha se materializado a minha frente. Ainda me recordo de olhar para aquele quadro que ilustrava a parede no qual havia a encenação de uma ciranda e ficar desejando que aquele presente tivesse sido resultado de um outro passado.
E quando penso nos momentos em que antecediam aquela cena naquela ante-sala tão grande e solitária que hora ou outra me deparava com algum estranho do qual tentava decifrar pelo jeito da onde vinha e o porque dele estar lá, mas nada. As feições eram muito opacas e aquela ante-sala não trazia muita luminosidade. Era tudo muito misterioso e escuro o que me faz pensar no agora e sinto que ainda ficarei te devendo muitas cartas sobre esse lugar fantastico ao qual eu te descrevo aos poucos e que se procria sem parar.