waiting for tomorrow

Saturday, December 22, 2007

Diálogo

A: Mas me diga. Se tivesse continuado lá, você ainda me colocaria aqui?
B: Não sei. Deixe o passado aonde ele está e descansa.
A: Mas eu não posso.
B: Como?
A: Já fazem dias em que eu não como, durmo, vivo direito. A minha cabeça dói.
(silêncio)
B: Mas porque que tem de ser assim? Não estou te reconhecendo nessas palavras...
A: Palavras, palavras, palavras. Elas me colocaram aqui! Porque você me notou?

...

Não continua!

Friday, December 21, 2007

De algum lugar de 2007...

Já faz algum bom tempo que não sinto o meu caminhar
Que as minhas palavras se tornaram um ledo engano
Que a voz falha
E que os meus gestos se tornaram fúteis

Já deixei de acreditar na fruição da minha alma
pelo meu corpo
Ou que o sangue leva vida para algum lugar

As veias estão pálidas
E eu ainda estou aqui
Contemplando o singelo gesto
De acenar para aqueles que ainda
teimam em me enxergar.

Friday, December 14, 2007

Primeiro Amor

Acho que todo mundo alguma vez na vida já passou por essa experiência. E ainda me lembro dela. Devia ter meus tenros 10, 11, 12 anos de vida. Mas já sabia que aquilo que sentia pela pessoa que habitava a casa do lado da minha não era algo normal. A perna tremia, o coração palpitava e o suor corria frio pelo corpo. E confesso que até hoje acredito que ela sabia em meio as nossas brincadeiras aquilo que sentia por ela. Não tinha a menor lascividade. Acho que por isso devia ser tão nobre.
Eram os anos 90 e tudo era novo. Brincava na rua e desvendava cada segredo da minha nova escola. O mundo era ingênuo do lado de cá.

Mas agora se passaram 11 anos e tudo mudou. Ela não mora mais aqui do lado e nem eu na maior parte do tempo. Acho que de certa forma nós dois partimos. Vez ou outra ela ainda aparece por aqui, mas somente para dizer que vai embora de novo.

Hoje é algum dia de março de 2008 e finalmente ela vai se casar e não comigo, obviamente. E já vejo o véu, a grinalda e ouço a música sintilando lá de traz da Igreja. Nem me dei ao luxo de perceber como está o tempo lá fora. Já é 2008 e o mundo palpita de novo aqui dentro.