Tenho esse texto há um bom tempo na parede do meu quarto.
I
como o sulco da caligrafia
chegando toda semana. como
o pulôver vermelho
que veste agora (não era
a volta para casa, um consolo, nem
a limosine negra veio buscá-la
de outro poema)
uma noite que se estende
com os ruídos de um sono
distante - e se você levanta num
entressonho, parece outra cidade, quando chega
a luz do dia muito antes da hora - Não sei
em que mapa ficou
Leedsnem aquele passeio de mãos dubidativas
em torno da praça.
II
de vestido amassado no pico
da montanha (o ponteiro dos segundos
rabisca o silêncio): -
não souFelice, sorria com calma, de dedos
trêmulos -
é uma relaçãovirtual, eu vibro como estrada. - olhos de gato
no escuro concreto, do banco
da frente nem suspeitava da perseguição. nem suspeitava
das vozes que vêm do oceano
(algum barco ainda aguarda
na enseada?)
III
sobre a mala
a caixa de chá (não o desejo
de contar os aviões partindo
na pista sobre o mar) na passagem tinha impresso
o retorno (temos os dias contados? para
onde vai? sua voz de
neblina no escuro)
Marília Garcia, 23, é autora do livro poemas Encontros as Cegas(ed. Moby Dick).