waiting for tomorrow

Sunday, July 30, 2006

Empty room

Ainda me lembro daquela manhã. Estava frio e um traço de luz tentava penetrar o quarto em que nós dois havíamos passado um dia praticamente inteiro. O detalhe da persiana que demonstrava a marca do tempo. O brilho que brotava na sua feição a cada movimento que você fazia na cama.
As cinzas de cigarro que demarcavam o cinzeiro. Me faziam lembrar o quanto aquela noite havia sido intensa. Dois estranhos que haviam se entrecruzado numa noite fria de inverno. Ainda me lembro do primeiro drink daquela noite. Tinha saído em busca de uma calefação.
A noite lá fora parecia mais solitária que eu, mas mesmo assim havia me decidido me perder nela. As luzes brilhavam intensamente, tentava buscar alguma complacência nas faces estranhas que me circundavam, mas a busca era vã. O frio parecia despertar a busca pela sobrevivência em mais uma noite fria na cidade grande.
O tempo passara e eu me via cada vez mais perdido. Foi quando eu desisti de me encontrar naquela noite infindável. Foi quando eu decidi tomar o primeiro drink e mais uma vez tentava encontrar um pouco de amor num copo sujo que já havia beijado muitas bocas tão solitárias quanto a minha...
Me lembro de tê-la visto quando já estava desistindo de encontrar alguma esperança naquelas doses secas empilhadas estomago abaixo. A sua feição traduzia as marcas do tempo, já devia ter vivido muito mais histórias do que muitos de nós poderíamos contar.
Sentada ao meu lado vi como as marcas do tempo eram corrosivas para as almas que haviam optado por ser perder de vez. Notei no seu jeito fugaz a oportunidade da aproximação. Havia sentido que ela era igual a mim. Acho que foi por isso que resolvemos nos deitarmos naquela cama suja naquele local que traduzia a depressão que se ramificava profundamente na minha alma. Sabíamos que não encontraríamos as respostas que tanto buscávamos ao cometer aquele ato, mas sabíamos que o calor era essencial para a sobrevivência de ambos para aquele dia que era recém nascido e que nos atordoaria mais uma vez até o momento em que a próxima dose fosse tomada e as nossas vidas fossem regadas por aquele torpor trazido pelo aquele gosto de álcool que penetraria em cada pedaço de superfície que sofria em silencio as dores sentidas por um corpo que apenas aguardava o ultimo momento.

Ouvindo:
Susanna and The Magical Orchestra: Enjoy the Silence

Sunday, July 23, 2006

Devaneio

Não que as lágrimas não correcem ou que dia não acontecesse lá fora ou que as palavras deixassem de fazer sentido. É que aquela sensação voltava sempre ora como um pesadelo ora com o sabor de mil desejos realizados ao mesmo tempo. Não que o mundo fizesse sentido naquele momento ou aquela distancia que eu havia percorrido não valesse a pena. Sabia que teria de percorre-la sempre a partir desse agora.
É que naquele momento todos os pontos do universo pareciam convergir pra minha cabeça trazendo todo o tipo de sensações. Sabia que voce sempre estaria lá seja como as coisas fossem. Sabia que poderia encostar no seu cabelo e sentir escorre-los pelas minhas mãos enquanto eu desejeva ser outra pessoa por que sabia que voce nunca seria minha.
Aquela tristreza de te ter pra nunca te ter me corroia fazia minhas angustias me domarem e me deixavam louco como um pássaro que via a janela aberta pela segunda vez, mas que sabia que fora daquela gaiola não seria um nada pra ninguém e que o mundo se resumiria na eterna dúvida de como tudo seria se aquela janela jamais tivesse se aberto ou se eu tivesse escolhido ficar.
Não que o desejo se resumisse a busca do eterno contato do qual nunca me via cansado de buscar ou as respostas naquelas conversas infindáveis que avançavam horas a fio que nos faziam nos perder no tempo. Era tão bom, mas me torturava. A cada gesto, má interpretação, olhar perdido, movimento corporal sabia cada vez mais da sua existencia o que me matava ainda mais.

Friday, July 21, 2006

Gotas

Era setembro
A chuva caia
o óculos encharcado
o vento frio
e voce

O beijo
O desejo
e a água

E a vontade de voltar
lá fora e viver tudo de novo

O delírio.
A lembrança
E Sempre voce.

Saturday, July 15, 2006

No title to explain

A falta de ar
O bolor que brotara na parede
O sol que batia incessantemente na minha cabeça
A solidão a cada amanhecer
A chuva
A falta de brilho no olhar
O desespero
A angustia

A sua foto
que teimava em desaparecer lentamente.
Uma intensa lembrança...
E os pés presos ao chão.

Friday, July 14, 2006

Algumas linhas

Parado lá na frente eu a observava. Acho que era a primeira vez em dois anos que isso ocorria. O meu olhar passava por ela e os meus pensamento não paravam de turbilhar na minha mente. A cabeça começava latejar, mas o coração doia bem mais. Agora ele sabia que ela se encontrava a anos luz a sua frente. Uma gota de suor escorria nesse momento e um chão desabava aos meu pés aquele coração não bateria mais no mesmo ritmo. Era isso que eu mais sentia no momento.
Olhava para o relógio e parecia que ele não andava mais que meio segundo por hora. Olhei para a porta planejei uma fuga, todos ficariam espantados e perguntariam o porque daquele ato, mas a minha covardia ia muito além da minha vergonha. Acabei ficando lá parado enquanto o desconforto não passava...
....
Cheguei em casa e me entreguei a minha cama. Tudo não podia dar errado de novo, mas deu.

Ouvindo: The Stills

Thursday, July 13, 2006

Inspiração? Vem...vem...

Sentindo o ar

Já se passam do meio dia aquela sensação vem de novo. Estarei eu sendo seguido? Aquela pessoa me olha estranho de novo. Me espreguiço tentando buscar um novo nivel de ar puro, mas a sensação de perseguição teima em não passar. Tento andar um pouco mais rápido, mas as pernas não correpondem ao movimento ao qual a cabeça ordena. Minha cabeça começa doer, o meu olhar começa a ficar turvo. Não sei aonde me refugiar todos os lugares parecem ser passiveis de um atentado a qualquer momento.
Aquela sensação não quer parar ela se embrenha em mim. Já não me sinto mais sadio. Coloco a mão no bolso e me lembro que ainda tenho mais uma capsula de remédio pra dor de cabeça, mas ele agora parece não fazer efeito. Os sons das pessoas é muito alto, perpassam os meus ouvidos. Parecem furadeiras que teimam em me torturar mesmo sabendo que o seu girar é vão num corpo que entra em decadencia como o meu.
Uma pessoa me interpela... não quero falar, mas ela insiste numa resposta. Hajo rude condeno-a por tal ato com o meu olhar. Tentativa em vão ela não pára... ela não pára.
Olho pro céu embusca de uma saída torço pra que a noite ja esteja caindo, mas a tentativa de fuga é falivel nesse momento. O sol raia como se fosse o seu ultimo grito de desespero que acomede somente o planeta terra. Porque a noite tarda tanto por cair? Fecho os olhos fingindo que o dia acabou, mas o alarme do relogio toca e me lembro que as coisas nunca param por aqui. Ufa a primeira noticia boa do dia.

Wednesday, July 12, 2006

Esperando por amanhã e algo mais...

Acordo atordoado à meia-noite. Da varanda do prédio no nonagésimo andar. Sinto o impulso de me jogar e se juntar ao barulho caótico que começa a se calar lentamente lá fora.
Grito pelo seu nome em busca de encontrar a ti mais uma vez. Pra cecear as minhas vontades ilimitadas que nuca foram supridas por você. Mas eu sempre gostei da forma displicente de você tratar cada palavra que era emitida pela minha boca. Num tom depressivo; sem fim.
A cada barulho advindo lá de fora me sinto cada vez mais torpe. Sinto a necessidade de tomar mais uma dose de whisky. Mas logo me lembro que terei de me deparar com as mesmas pessoas que são a causa de eu me trancafiar num quarto aonde até mesmo um rato se sentiria desconfortável.
Não quero me sentir tocado pelo olhar das mesmas pessoas que me fizeram buscar uma outra forma de razão.
Estou protegido aqui dentro; por uma fechadura que vai se definhando, assim como cada célula dos seres que estão sendo gerados ou que já foram concebidos em meio ao advento da dor. Ou talvez não. Agora eles fazem anestésicos para amenizar esse tipo de dor.
Procuro por teu telefone. Quero me lembrar porque eu ainda existo. Porque eu ainda não me atirei do nonagésimo andar? Vasculho cada pedaço de papel que ainda resta nessa pocilga. A busca soa a cada instante mais em vão, mas tenho de te encontrar pra poder me encontrar.
....Os analgésicos acabaram. Mas essa dor não pára.
Encontro um pedaço de papel, vejo números. Pego o telefone; balbucio meia dúzia de palavras num tom insalubre. A pessoa do outro lado parece buscar compreender de forma execrável aquele punhado de sons emitidos por uma voz desconhecida que teima em ecoar pelo o outro lado.
Desligo o telefone; desisto de buscar compreensão do outro lado. Ele não me soou convincente o bastante a minha vida toda. Nunca foi a voz que eu esperava ouvir...
Não quero ouvir mais nada!
Acho que preciso dormir mais um pouco. Esse sol da meia-noite não me convence mais...

Título: Alucinado
Data: 19-20/07/2005

ouvindo: Beck-devils haircut